Stefano Garzon

Pesquisa · 24 mar 2026

Trombose após TAVI: frequência, impacto clínico e desenho da válvula

As duas fontes

Frequência e impacto clínico

Na TC 4D, o espessamento hipoatenuante de folhetos (HALT) aparece em 12% a 18% dos pacientes aos 3 meses e em 25% a 30% em 1 ano. A trombose valvar clinicamente significativa fica entre menos de 1% e 2,8%. O problema central é a distância entre detecção e impacto clínico.

A maioria dos estudos não associa HALT subclínico a mortalidade ou AVC. Um sinal se destaca: a falência de bioprótese em 3 anos foi maior com HALT precoce, HR 6,10 (IC 95% 2,59 a 14,29). Para mim, a preocupação real pode ser a durabilidade.

Mecanismos

Os mecanismos seguem uma tríade de Virchow modificada:

Os três são potencialmente modificáveis.

Desenho da válvula

Em revisão sistemática, a trombose subclínica foi menor com próteses supra-anulares (7,0%) do que com intra-anulares (12,1%). A subexpansão é um preditor consistente de HALT e pode explicar em parte o resultado negativo do ACURATE IDE, com cerca de 20% de subexpansão.

SAPIEN 3 Ultra RESILIA no OCEAN-TAVI

Yamamoto et al. compararam 618 pacientes consecutivos com SAPIEN 3 Ultra RESILIA (S3UR) a 8750 controles históricos com SAPIEN 3. Na coorte pareada por escore de propensão (618 por grupo):

DesfechoS3URSAPIEN 3
Vazamento paravalvar ≥ leve13,0%23,3%
Gradiente médio ≥ 20 mmHg1,6%5,1%
Mismatch prótese-paciente (qualquer)5,7%14,1%

O maior ganho foi nas válvulas de 20 e 23 mm, historicamente o ponto fraco das plataformas balão-expansíveis.

Menos mismatch e gradientes menores significam menos turbulência e melhor lavagem do neosseio. No simulador de Midha et al., o implante mais profundo aumentou 7 vezes a área de fluxo estagnado. Em teoria, melhor hemodinâmica poderia reduzir o risco de trombose. O estudo de Yamamoto não mediu trombose.

Inflamação e tratamento

No estudo Co-STAR, colchicina em torno da TAVI reduziu o espessamento de folhetos de 54,2% para 27,1% contra placebo. Isso sugere papel da inflamação na formação precoce do trombo e uma via terapêutica além da anticoagulação.

A anticoagulação resolve o HALT, mas GALILEO e ATLANTIS mostraram dano com anticoagulação de rotina após TAVI em pacientes sem outra indicação. Hoje tratamos a trombose valvar clinicamente significativa e observamos o HALT subclínico.

Estudos em andamento

EstudonComparação
POPular ATLANTIS2500Terapia personalizada guiada por TC
NOTION-4324DOAC vs AAS
REACT-TAVI21206Ticagrelor vs AAS

Resultados esperados entre 2027 e 2029.

Conclusão

A trombose após TAVI é frequente, e seu impacto clínico é incerto, em especial sobre a durabilidade. Um desenho de válvula com melhor hemodinâmica pode reduzir o risco. Faltam ensaios randomizados que liguem características da prótese a desfechos duros.